Conhecer os vizinhos da Internet

Ou como todos procuramos um bom lugar para viver online

Durante a primavera, Severin Matusek - fundador do co-matter, escreveu que o sentido de comunidade é um estado de espírito, não precisando de estar associado a uma localização física. O que faz um grupo de pessoas aproximar-se é a partilha de um propósito comum. Com a Internet e a sua multiplicidade de fóruns, grupos, plataformas e redes sociais, as coordenadas geográficas deixaram de ditar os limites de uma comunidade - estarmos próximos depende apenas da vontade de nos reunirmos em prol de uma ideia, movimento ou cultura.

Apesar de não ser preciso um mapa para definir um espaço de comunhão, continua a pôr-se a questão sobre quem controla os lugares onde estamos juntos online. Em plataformas como o Instagram ou o Facebook somos meros arrendatários, sujeitos à volatibilidade dos seus algoritmos e regulamentações. É um mundo livre para nos aproximarmos dos nossos vizinhos da Internet, mas acima das regras da comunidade, vão sempre estar os interesses da plataforma.

O artista da Internet Darius Kazemi propõs uma solução: cria o teu próprio espaço social. No guia que escreveu sobre o projeto, relembra que é de extrema importância que cada comunidade não tenha mais que 50 a 100 pessoas. Pela sua experiência limitada como ser humano no planeta Terra, não é possível manter o grupo unido e promover conversas significativas além desse número. Neste infinito universo que é a Internet, continuam a ser os pequenos bairros digitais - não as metrópoles - que apelam ao melhor do que os seres humanos têm para oferecer.


💾 Nostalgia

"Como ferramenta de pequisa, a Internet é inestimável.” - Noam Chomsky

Nos anos 90, os cidadãos da Internet - também conhecidos por Netizens, criavam as primeiras comunidades online em plataformas como a Netscape, a GeoCities e o MySpace. Os websites tinham uma identidade muito pessoal e quase todos davam as boas vindas a quem os consultava - estar online era, só por si, um motivo de celebração. Hoje, já pouco resta desse legado. Olia Lialina e Dragan Espenschied fazem parte de um grupo crescente de pessoas que estão a preservar e a arquivar o começo da nossa história digital - não só a sua estética caótica, mas a ideia de que a Internet era um destino, não a viagem.


💻 Tempo presente

“Não acredito numa forma cronológica de fazer as coisas” - Yoko Ono

Há cada vez mais conteúdos textuais a serem partilhados na Internet, mas são poucos os que são lidos do ínicio ao fim. E quando tal acontece, é provável que a leitura seja rápida e focada em palavras-chave. É comum culpar-se o leitor, acusando-o de falta de atenção ou interesse, mas são vários os estudos que sugerem que é simplesmente mais difícil manter a concentração em ecrãs. Para contrariar esta tendência, o Readymag publicou um ensaio sobre como a experiência de leitura online pode ser melhorada.


🔍 Ventos futuros

“A inteligência artificial está em toda a parte. Não é uma coisa assustadora do futuro. Está aqui connosco” - Fei-Fei Li

Na sua essência, a inteligência artificial é uma programação de computador que consegue aprender e adaptar-se. Este é o primeiro conceito do glossário The A-Z of AI, uma colaboração entre o Oxford Internet Institute e a Google que tem como propósito explicar, de forma simplificada, termos complexos da área da ciência computacional. Para que o futuro não seja construído numa sala fechada, o melhor é aprendermos a sua terminologia e entrarmos na conversa.


E a pergunta do dia é:

🤔 “Onde te reúnes em comunidade?”

Fico à espera da tua resposta nos comentários! Vamos fazer desta newsletter um espaço de partilha, onde podemos trocar ideias, sugestões e recomendações.

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Até já!

Inês 🌿


A Internet num Telegrama é uma newsletter sobre meios, mensagens e humanos, escrita por mim - a Inês da Nevoazul. Duas vezes por mês, vou partilhar conteúdos que exploram a forma como comunicamos na era da informação. A ilustração em cima é do Pedro Codeço.