Manual para a revolução

Ou como o Google Docs se tornou num aliado do movimento Black Lives Matter

O Instagram tem sido uma das principais plataformas para promover o movimento Black Lives Matter. Diariamente, são publicadas centenas de imagens que apelam à justiça pelas mortes de Eric Garner, Tamir Rice, George Floyd e Breonna Taylor. Nomes que se acumulam entre tantas outras vítimas de racismo sistemático.

Apesar de encontrarmos mais de 21 606 423 publicações através da hashtag #blacklivesmatter, a plataforma não facilita a divulgação de links - limitando o peso deste movimento a imagens que se partilham e, logo depois, se perdem.

Nesta luta por mais justiça, atenção e educação, o Google Docs aparece como uma solução improvável, mas necessária, na partilha de informação fidedigna. Ao contrário da efemeridade das redes sociais, esta simples plataforma de texto funciona como uma biblioteca pública, editável e acessível por todos.

O Google é uma ferramenta questionável no que respeita à proteção de dados. No entanto, o documento ally.wiki apresenta-nos um diretório de links, em constante atualização, que nos permite tomar decisões educadas no combate ao racismo. Quanto ao Instagram, permanecerá um megafone essencial para captar a atenção. Só precisamos de o usar com bom senso e dar voz a quem não tem tido oportunidade para falar.


💾 Nostalgia

“A magia está em desafiar o que parece impossível” - Carol Moseley Braun

No livro Black Software - From the afronet to Black Lives Matter, o autor ,Charlton D. McIlwain, explora como os movimentos online pela justiça racial não são exclusivos do tempo presente. Pelo contrário, McIlwain mostra-nos como, desde os anos 60, a tecnologia tem sido utilizada como uma ferramenta para a igualdade. Neste livro, ficamos a conhecer o papel da comunidade afro-americana na criação e evolução da Internet - do motor de pesquisa "Universal Black Pages", inventado em 1994 por Derrick Brown, ao movimento Black Youth Project 100.


💻 Tempo presente

“O progresso do mundo chama pelo melhor que cada um tem para oferecer” - Mary McLeod Bethune

Para compreendermos realidades que vão além das nossas, é preciso ouvir. Recentemente, adicionei à minha rotação três podcasts que exploram questões raciais: Blacks in Technology, Code Switch e o podcast do The Institute of Black Imagination, moderado pelo artista, escritor e consultor Dario Calmese. Outra descoberta da semana foram os episódios do VCs off the Record - uma parceria entre o movimento Black Women Talk Tech e o fundo de investimento WOCstar.


🔍 Ventos futuros

“O futuro já chegou, apenas ainda não está uniformemente distribuído.” - William Gibson

Redes sociais como o Facebook e o Instagram fazem-nos acreditar que as ideias e partilhas que fazemos online devem estar associadas a uma identidade - uma extensão de quem verdadeiramente somos. A rede social special.fish, criada pelo Elliott Cost, reinventa a ideia de comunidade, eliminando géneros, raças e idades. Nesta plataforma, as pessoas partilham as suas listas, ideias e pensamentos sob a forma de um username. Lá podemos ser o sol, uma ilha, um número ou apenas uma combinação de letras ao nosso agrado. Eu sou apenas um nenúfar.


E a pergunta do dia é:

🤔 “Que livro achas que todas as pessoas deveriam ler?”

Fico à espera da tua resposta nos comentários! Vamos fazer desta newsletter um espaço de partilha, onde podemos trocar ideias, sugestões e recomendações.

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Até já!

Inês 🌿


A Internet num Telegrama é uma newsletter sobre meios, mensagens e humanos, escrita por mim - a Inês da Nevoazul. Duas vezes por mês, vou partilhar conteúdos que exploram a forma como comunicamos na era da informação. A ilustração em cima foi feita pelo Pedro Codeço.