Probabilidades mal interpretadas

Ou como os números são difíceis de ler

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Nesta newsletter escrevemos sobre:

  • 200,000 caras e 200 mil milhões de dólares

  • Se o Twitter é uma cidade, o Letter é um café

  • A etnografia como viagem no tempo

  • …e muito mais!

Um dia normal na Internet | Probabilidades mal interpretadas

Quando a Isabel Sá, designer e developer na Nevoazul, partilhou comigo um artigo de 1989 sobre iliteracia numérica, não estava à espera de ficar tão interessada no tema, nem tão pouco de encontrar um retrato fiel à realidade que hoje vivemos.

Quando se fala em desinformação, raramente assumimos a culpa. Usamos os alvos do costume - a Internet, o Facebook, as partilhas, mas, o mais provável, é que, muitas das vezes, apenas não estejas familiarizado com conceitos matemáticos. E não sou eu que o digo, é o jornalista John Allen Paulus.

“The television meteorologist announced that there was a 50 percent chance of rain for Saturday and a 50 percent chance for Sunday as well, and concluded that there was therefore a 100 percent chance of rain that weekend. I grant the mistake was not hilarious, but no one even smiled. ”

Hoje, com uma pandemia mundial na ordem do dia, gráficos e percentagens parecem gritar mais alto do que palavras. Os números crescem de dia para dia, e há uma curva que não verga, mas conseguimos entender o que esses valores e linhas significam? É fácil visualizar e imaginar o que podemos fazer com 1000 euros, mas e se forem 10 milhões? Qual é a probabilidade de baralharmos um conjunto de cartas aleatoriamente e essa ordem já ter saído a alguém no mundo? Eu achei que era bastante provável, afinal estava enganada. Imensamente enganada.

Valores numéricos são frequentemente usados como auxiliares de compreensão rápida para situações complexas. Resta saber se o nosso conhecimento consegue acompanhar a escala. Habituámo-nos à ideia de que saber contar é saber interpretar, mas quando ignoramos probabilidades ou desvalorizamos a totalidade de uma percentagem, a informação fica pela metade e a ciência pelo caminho.


Duas semanas em três links

  • 200,000 caras e 200 mil milhões

    Matt Korostoff põe em escala a riqueza de Jeff Bezos, as vidas perdidas pelo Covid 19, o número de americanos presos e a eternidade que oito minutos e quarenta e seis segundos podem ser.

  • Se o Twitter é uma cidade, o Letter é um café

    É difícil acompanhar conversas quando estas se dispersam por plataformas ou estão envolvidas em ruído visual. A plataforma Letter recupera o lado boémio da correspondência por carta e traz-nos conversas que se desenvolvem em profundidade. A minha preferida, até agora, é a troca de cartas entre a Sarah Haider e a Ayaan Hirsi Ali com o tema “Is the Culture War Lost?”, mas há muito para descobrir na secção de temas.

  • Usar a etnografia para viajar no tempo

    A base de pesquisa da etnografia é o trabalho de campo - o estudo intenso, demorado e atento de uma cultura ou, como a origem grega da primeira sílaba da palavra deixa antever, de uma nação ou um povo. A descrição quase que deixa à imaginação o tempo passado ou a curiosidade em escrever o presente, mas para a professora e investigadora Laura Forlano a etnografia é um bilhete para o futuro.

    “One colleague snorted and laughed, stating, “You can’t study something that doesn’t exist.” Yet, as ethnographers and designers of emerging technology, this is exactly what we must find ways to do. And, in 2002, I set out to explore the many ways in which it is, in fact, quite possible to study the future.


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Inês 🌿


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